sexta-feira, 9 de julho de 2010

Verdade ou mentira? Fala governador!

http://tribunadaimprensa.com.br/
quinta-feira, 08 de julho de 2010
A “pacificação” das favelas do Rio não passa de um acordo feito entre o
governador e os traficantes, que podem “trabalhar” livremente, desde que não
usem armas nem intimidem os moradores das comunidades
Em dezembro do ano passado, publiquei aqui no Blog um importante artigo de denúncia,
mostrando que a política de “pacificação” das favelas não passa de uma manobra eleitoreira do
governador cabralzinho, que inclui um incrível e espantoso acordo entre as autoridades estaduais e
os traficantes que atuavam (e continuam atuando) nessas comunidades carentes.
O acordo está “firmado” sob as seguintes cláusulas: 1 – Os traficantes somem com as armas
da favela, com os “soldados” de máscaras ninjas, com os olheiros e tudo o mais. 2 – A PM entra na
favela, sem enfrentar resistência, ocupa os pontos que bem entender, mas não invade nenhuma casa,
nenhum barraco, e não prende ninguém, pois não “acha” traficantes ou criminosos. 3 – A favela é
tida como “pacificada”, não existem mais marginais circulando armados, os moradores não sofrem
mais intimidações, não há mais balas perdidas. 4 – Em compensação, o tráfico fica liberado, desde
que feito discretamente, sem muita movimentação.
Até o Blog publicar esses artigos, ninguém havia tocado no assunto. A implantação das
chamadas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) vinha sendo saudada pela imprensa escrita,
falada e televisada como uma espécie de panacéia na segurança pública. Era como se, de súbito, as
autoridades estaduais e municipais tivessem conseguido “colocar o ovo em pé”, resolvendo de uma
hora para outra o maior problema da atualidade: a violência e o tráfico de drogas nos guetos das
grandes cidades.
Não há dúvida, esse é UM DOS MAIORES DESAFIOS DA HUMANIDADE. Como
todos sabem, em praticamente todos os países do mundo, governantes e autoridades da segurança
pública continuam sem saber como enfrentar e vencer o problema da criminalidade e do tráfico.
Menos no Rio de Janeiro. Aqui, houve uma espécie de “abracadabra”, um toque de varinha de
condão, e num passe de mágica, as favelas foram “pacificadas”, que maravilha viver.
O mais interessante: não foi disparado UM ÚNICO E ESCASSO TIRO, os traficantes e
“donos” das favelas não lançaram uma só granada, um solitário morteiro, não acionaram seus
lanças-chamas, seus mísseis portáteis, seus rifles AR-15 e M-16, suas submetralhadoras Uzi, nada,
nada.
No artigo-denúncia que publiquei no final de dezembro e nos outros que se seguiram em
janeiro, chamei atenção para esse fato espantoso: ninguém reparou que a tal “pacificação” foi fácil
demais, não houve uma só troca de tiros?
O pior foi a atitude do governador cabralzinho, que deve pensar (?) que os demais cidadãos
são todos imbecis e aceitam qualquer “explicação” que lhes seja fornecida pelas autoridades.
Recordemos que foi ele quem teve a ousadia e a desfaçatez de vir a público e proclamar,
textualmente: “DEI PRAZO DE 48 HORAS PARA OS TRAFICANTES DEIXAREM O
CANTAGALO-PAVÃO-PAVÃOZINHO”.
Como é que é? O governador esteve como os traficantes, “cara-a-cara”, e fez o ultimato? Ou
mandou recado por algum amigo comum? Como foi o procedimento? Ninguém sabe.
O que se sabe é que o governador alardeava (e continua alardeando) que, em todas as favelas
onde a Polícia Militar instalou as UPPs, os traficantes e criminosos simplesmente sumiram,
assustados, amedrontados, apavorados.
Seria tão bom se fosse verdade. Mas o que é a verdade para esse governador enriquecido
ilicitamente, cuja mansão à beira-mar em Mangaratiba virou ponto de atração turística? Para ele, a
verdade é a versão que ele transmite, por mais fantasiosa que seja, como se fosse um ridículo
Pinóquio de carne e osso (aliás, muito mais carne do que osso, já caminhando para a obesidade
precoce), a inventar contos da Carochinha para iludir os eleitores.
Quando escrevi a série de artigos desmascarando a “pacificação das favelas”, houve
tremenda repercussão (como ocorre com tudo que sai publicado nesse Blog ou na Tribuna da
Imprensa). Mas a maioria das pessoas se recusava a acreditar. Não podiam aceitar que um
governante descesse a nível tão baixo, criasse tão estarrecedora mistificação, tentasse manipular tão
audaciosamente os eleitores.
Mas meus artigos plantaram a semente da dúvida. Nas redações, os jornalistas começaram a
questionar a veracidade do sucesso dessa política de segurança pública. Até que, há dois ou três
meses, O Globo publicou uma página inteira em sua seção “Logo” (que é uma espécie de
“pensata”), ironizando a facilidade com que as favelas teriam sido “pacificadas”. (Não me deram
crédito nem royalties, é claro, mas fico esperando o pré-sal).
Agora, no dia 2 de julho, mais uma vez O Globo, em reportagem de Vera Araújo, comprova
que meus artigos de denúncia estavam corretos. Sob o título “FEIRÃO DE DROGAS DESAFIA
UPP”), com fotos impressionantes feitas em maio na Cidade de Deus, a matéria mostra que o
tráfico de drogas está e sempre esteve liberado, exatamente como afirmei.
Ao que parece, a repórter nem chegou a ir à Cidade de Deus. As fotos na “favela pacificada”
foram feitas por um morador do local, que as enviou ao jornal. Foi facílimo fazer a matéria, as
imagens dizem tudo.
No dia, seguinte, mais um repique em O Globo, mostrando que, assim com o tráfico de
drogas, também a exploração de caça-níqueis está liberada na comunidade “tomada” pela PM. As
fotos, novamente, são de um morador da favela, que o jornal, obviamente, não identifica.
***
PS – Isso não está acontecendo somente na Cidade de Deus. Em todas as favelas
pacificadas, ocorre o mesmo.
PS2 – Aproxima-se a eleição e, na campanha, o governador vai massacrar a opinião pública
com a divulgação do êxito da “pacificação das favelas”. Este é ponto mais forte de sua “plataforma”
eleitoral, ao lado das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento).
PS3 – Aliás, UPPs e UPAs, tudo a ver. As UPAs também são um golpe de marqueting
político-eleitoral, conforme iremos demonstrar neste Blog.
PS4 – O desgoverno de cabralzinho é um tema longo, do tipo “E o vento levou”. E seria
bom, perdão, seria ótimo, se o vento o levasse permanentemente para longe de nós.
sexta-feira, 09 de julho de 2010
Saiba como o governador cabralzinho teve a ideia de forjar a “pacificação das
favelas”, fazendo acordo com os traficantes, para iludir a população e se
reeeleger
Conforme foi mostrado ontem, as reportagens de Vera Araújo em O Globo, nos dias 2 e 3
deste mês, (feitas com base em impressionantes fotos batidas por um morador da Cidade de Deus)
confirmam as denúncias que fiz neste Blog em dezembro e janeiro.
Naquela época, em uma série de artigos, mostrei que nas “favelas pacificadas”, onde foram
instaladas as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), o que houve foi um acordo espúrio e forada-
lei entre as autoridades e os traficantes.
Mas como um governador pôde chegar à tamanha baixeza, fazendo “entendimentos” com
criminosos de altíssima periculosidade, responsáveis por uma das maiores chagas da humanidade,
que é a atual disseminação do consumo de drogas?
A história é longa e apaixonante. Começou porque, já entrando no terceiro ano do mandato,
o governador cabralzinho estava em baixa e sabia que teria dificuldades para se reeeleger. Cada vez
que saía o resultado da pesquisa do Datafolha, com avaliação dos governadores dos 10 maiores
estados, ele entrava em desespero.
Vinha em queda livre nesses levantamentos, e os mais recentes chegaram a mostrar que,
entre os dez, cabralzinho estava em 8º lugar, só ficando à frente de José Roberto Arruda (DF), já
envolvido no escândalo do mensalão e do dinheiro na meia, e Yeda Crusius (RS), que acabara de
passar por um processo de impeachment com denúncias gravíssimas de desvio de recursos.
As pesquisas do Datafolha sobre o desempenho dos principais governadores, no ano
passado, traziam o seguinte resultado: 1º – Aécio Neves (MG), 2º – Eduardo Campos (PE), 3º – Cid
Gomes (CE), 4º – José Serra (SP), 5º – Luiz Henrique (SC), 6º – Jacques Wagner (BA), 7º –
Roberto Requião (PR), 8º – Sérgio Cabral (RJ), 9º – José Roberto Arruda (DF) e 10º – Yeda Crusius
(RS)
O mais interessante é que Arruda vinha em 6º lugar na pesquisa anterior. Ou seja, estaria na
frente de cabralzinho, se não tivesse sofrido o massacre causado pelo escândalo do mensalão.
Assim, para o governador do Estado do Rio, a situação estava ficando desesperadora. Para
revertê-la, ele teve então a idéia de simular a “PACIFICAÇÃO DA FAVELAS”, de forma a
utilizar essa “conquista” como principal meta que teria cumprido em seu governo, de forma a
pavimentar seu caminho rumo à reeeleição.
O governador já tinha maus antecedentes nesse particular, porque, antes da realização dos
Jogos Panamericanos, fizera um surpreendente ACORDO COM AS CHAMADAS “MILÍCIAS”.
Esse entendimento com as “milícias” foi público e notório, fartamente divulgado e comentado pelos
jornais.
Bem, com a experiência obtida no acerto com as milícias, o governador baixou ainda mais o
“nível”, e começou a fazer acordos também com os traficantes, nas seguintes bases. 1) Os
“soldados” e “olheiros” do tráfico sumiriam do mapa, ninguém mais seria visto portando armas nem
usando máscaras do tipo ninja, os tiroteios e as balas perdidas cessariam. 2) Os favelados não mais
seriam incomodados pelos criminosos. 3) A Polícia Militar se faria presente, e aparentemente
controlaria a situação. 4) Mas o tráfico não seria mais reprimido, desde que realizado com discrição.
Os traficantes adoraram e aceitaram na hora. Por isso, não foi disparado um só tiro em
nenhuma dessas operações de “ocupação” das favelas. Para os donos do tráfico, o negócio teve seus
custos muito reduzidos, porque puderam dispensar muitos “soldados” e “olheiros” que diminuíam
os lucros. Além disso, não precisavam comprar mais armas nem munição.
O prazo de 48 horas (que o governador proclamou ter dado aos traficantes) não foi para
saírem das favelas, mas simplesmente para se adaptarem à nova situação. Essa realidade é facílima
de comprovar, não é preciso ser nenhum Einstein para chegar a uma claríssima conclusão. Ou será
que ALGUÉM ACREDITA QUE O TRÁFICO PAROU?
Esse acordo cabralzinho-traficantes é tão claro e acintoso, que chega a ser ridículo. Vamos
analisar o caso da Zona Sul, por exemplo. Se o tráfico estivesse interrompido nas favelas já
“pacificadas”, haveria permanente ENGARRAFAMENTO DE DROGADOS nas demais “bocas”
da Zona Sul, como Cerro Corá, Morro Azul, Pereirão, Rua Alice (Júlio Ottoni), e Gávea, mais isso
não está acontecendo. Pelo contrário, os drogados estão preferindo se abastecer nas favelas
“pacificadas”, onde não correm o risco de “levar uma dura”.
***
PS – Outra demonstração clara é a atual carência de notícias sobre apreensão de drogas. Não
parece estranho? Alguém acredita que o trafico realmente parou. Ha!Ha!Ha! Seria cômico se não
fosse trágico.
PS2 – Se os traficantes tivessem sido realmente impedidos de atuar, a Zona Sul teria se
tornado um inferno, com assaltos e mais assaltos nas ruas. Afinal, esses criminosos “pacificados”
estão hoje se dedicando a que ramo de atividade? Será que aderiram aos secos e molhados? Ou
pensam em entrar na política, já que estão agora tão “chegados” às autoridades.
PS3 – As matérias publicadas por O Globo sobre o tráfico liberado na “pacificada” Cidade
de Deus (com a volta dos caça-níqueis, também) mostram irrefutavelmente a cumplicidade políciatraficantes.
PS4 – O mais inacreditável foi a declaração do Secretário de Segurança a O Globo. Textual:
“Uma filmagem numa esquina onde há a venda de 10 ou 15 papelotes, considerando que são
viciados, é factível. É um caso de saúde pública. São pessoas que precisam de tratamento”, disse
ele, e completou: “O resultado positivo é infinitamente mais importante que a venda de meia dúzia
de papelotes”.
PS5 –É claro que a “pacificação” tem um lado positivo, que é o fim dos tiroteios e das balas
perdidas, trazendo um pouco de paz às comunidades. Mas esse objetivo jamais poderia ter sido
alcançado mediante a “legalização” do tráfico de drogas, que tanto mal causa à sociedade como um
todo. E tudo isso, ressalte-se, com fins meramente eleitorais.
Ps6 – O morador da Cidade de Deus que mandou as fotos a O Globo é um cidadão
consciente, tentando desmontar uma farsa. Agiu como menino do conto genial de Hans Christian
Andersen, que apontava o dedo e dizia que o rei estava nu, enquanto as outras pessoas, acovardadas,
fingiam não ver.
PS7 – O blogueiro Yuri Sanson nos mandou ontem uma mensagem levantando outra “lebre”
sobre o acordo cabralzinho-traficantes: “Só existe pacificação nas favelas dominadas pelo Comando
Vermelho”. Será mera coincidência? Aliás, você acredita mesmo em coincidência?

Recebido por e-mail
Colaboração: Fabiano Guilherme

Um comentário:

Anônimo disse...

Nossa que "conto de fadas" você criou, espera mesmo que as pessoas vão acreditar nessa historinha? Aceite o fato de que CABRAL tem feito um ótimo trabalho na segurança do Estado! Vamos continuar acreditando na nova policia! parabéns Cabralzinho! você está conseguindo o que muitos nem tentaram!