segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Orçamento dá em polêmica

Publicado em 04/01/2009




Anderson Carvalho

Polêmica em Rio Bonito. Um dia depois do prefeito José Luiz Alves, o Mandiocão (DEM), ter culpado os 10 vereadores da cidade por não terem votado o orçamento deste ano, o vereador Carlos Neto, o Caneco (PR), defendeu-se, jogando a responsabilidade no prefeito. Afirmou que este se recusou a corrigir supostas falhas na proposta orçamentária de 2009 e por isso, ela não foi votada. Pelo projeto do governo, o orçamento seria de R$ 94 milhões. Para Mandiocão, os vereadores não pensam na população.

"O orçamento não foi aprovado por culpa do prefeito. A proposta chegou à Câmara no final do prazo legal, em 30 de setembro passado, com vários erros que eram inconstitucionais. Nós tínhamos que corrigir estas falhas. Tentamos botar o projeto em votação três vezes em sessões extraordinárias, após 15 de dezembro, quando deveríamos ter entrado em recesso parlamentar.

Mas, o líder do Governo na Casa, Carlos André de Pina, o Maninho (PPS), pedia para não discutir a proposta em plenário, alegando que ia encaminhar os erros ao prefeito para este corrigi-los", disse o vereador.

"Depois, soubemos que o prefeito disse que teríamos que votar a proposta do jeito que ele queria, senão a cidade não teria orçamento", contou Caneco, que presidiu a Câmara na legislatura anterior.

Segundo o parlamentar, Mandiocão não perdoou os vereadores por terem aprovado parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE), recomendando a rejeição das contas do prefeito, relativas ao ano de 2007. O prefeito somente pôde concorrer à reeleição graças a uma liminar concedida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio.

Procurado pela reportagem para comentar as declarações de Caneco, o prefeito afirmou que os vereadores tiveram bastante tempo para apreciar o orçamento e não o fizeram porque não quiseram.

"Houve várias sessões plenárias canceladas por falta de quorum após as eleições. Em nenhum momento fui procurado para discutir o orçamento. Acho muito estranho eles não terem aprovado a proposta quando o município sofre ainda com as enchentes do final de novembro passado e não recebeu até hoje a ajuda prometida pelo governo federal. Tivemos duas vítimas fatais de deslizamentos, 151 casas completamente destruídas, outras 149 parcialmente e muitas outras em áreas de risco. Por que eles não fizeram emendas à proposta?", questionou Mandiocão.

Apenas quatro vereadores apóiam o prefeito na Câmara: Rita da Educação (PP), Maninho, Eliézio Mendonça (PP) e Marcinho Bocão (DEM). O restante é independente. Maninho não foi encontrado para comentar as declarações de Caneco.




O Fluminense

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