sábado, 6 de dezembro de 2008

NA BOLÍVIA, BETANCOURT DIZ QUE NARCOTRÁFICO DESVIRTUOU AS FARC


LA PAZ, 6 DEZ (ANSA) - O narcotráfico fez com que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se tornassem um cartel e seus membros "uns burgueses revolucionários", que perderam o apoio do povo colombiano, afirmou em La Paz Ingrid Betancourt, após uma reunião com o presidente boliviano, Evo Morales. "Eu vi nas Farc essa riqueza, essa opulência que lhes dá o narcotráfico", disse Betancourt, que permaneceu seis anos como refém da guerrilha. Segundo a ex-senadora franco-colombiana, o erro das Farc de entrar no narcotráfico e transformar a guerrilha em um cartel das drogas se junta agora à perda de apoio popular, porque deixou seu caráter político. "É uma guerrilha sem povo. Não tem apoio popular. Os colombianos não querem a guerrilha e isso explica porque [o presidente Álvaro] Uribe foi reeleito e provavelmente volte a se reeleger", afirmou. Betancourt também disse que a partir do momento em que as Farc "deixaram de se preocupar com os problemas da Colômbia, ficando completamente de costas para o país", perderam o apoio do povo, por isso sua única opção agora é "se transformarem ou deixarem de existir". Betancourt, que chegou ontem na Bolívia, se reuniu em La Paz neste sábado durante uma hora com o presidente boliviano, como parte de seu giro pela América Latina em apoio à libertação dos outros reféns da guerrilha e para agradecer à solidariedade e respaldo que recebeu quando estava em cativeiro. Ontem, a ex-candidata à presidência da Colômbia foi recebida em São Paulo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando o considerar "mais que um amigo, um irmão". No Brasil, a franco-colombiana também lembrou a ocasião em que Lula conversou com sua mãe, Yolanda Pulecio, em Buenos Aires, durante a posse da presidente argentina, Cristina Kirchner, em dezembro de 2007. "Foi um momento muito especial para minha família. O presidente Lula reservou tempo para eles. Esses atos criam vínculos afetivos muito fortes. E meu agradecimento é para alguém que é mais que um amigo, é um irmão", afirmou Betancourt. Amanhã, Betancourt se reunirá com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que foi mediador entre o governo colombiano e a guerrilha ao lado da senadora colombiana Piedad Córdoba. Segundo a ex-refém, as Farc vêem Chávez e Morales com admiração, por isso há possibilidades de êxitos em novas gestões pela libertação dos outros reféns, "o que não significa uma relação clandestina", pontualizou. "É bom que alguém possa falar com as Farc, que eu acredito que não estão apenas fechadas porque o mundo as repudia, mas também porque são autistas, não ouvem, não querem ouvir o que está acontecendo no mundo", afirmou. Betancourt, que recentemente descartou ser novamente candidata à presidência da Colômbia ou ao parlamento, considera que a democracia na região está se consolidando em meio a mudanças que respondem às características específicas de cada país. "Devemos nos esforçar mais no que nos une e no que nos separa", afirmou em referência aos eventuais embates políticos entre os presidentes de Colômbia e Venezuela. "São dois presidentes que caminham bem pela via democrática. São opções diferentes em países diferentes e cada um atua de acordo com sua realidade", explicou. Betancourt, resgatada pelo exército colombiano no último dia 2 de julho, iniciou no fim de semana passado uma série de visitas a países sul-americanos, que já passou por Colômbia, Equador, Argentina, Chile, Peru, Bolívia e terminará na Venezuela. (ANSA) 06/12/2008 14:40 © Copyright ANSA. Todos os direitos reservados.

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