domingo, 13 de junho de 2010

DA SÉRIE ELEIÇÕES 2010 (3): A RAZÃO CÍNICA DAS ELITES OU AS ELITES E O VIRA-LATAS


“O problema do Brasil é a classe dominante. Os políticos são desonestos e a mentalidade do brasileiro é muito individualista, adora levar vantagem em tudo.”

(Cazuza, compositor e cantor de rock)

“Ser brasileiro me deixa sempre um pouco subdesenvolvido.”

(Millôr Fernandes, escritor e humorista)

Depois de alguns textos falando sobre vários temas, voltemos a falar de política, pois o ano também é de eleição, apesar da grande mídia fazer de conta que não, pois só se fala de Copa do Mundo, para alienar os bestas de plantão! Em termos de política, vivemos um momento de reacionarismo, onde muitos vendem democracia como mercadoria para entrega futura. Que democracia é essa na qual vivemos? Será mesmo numa democracia que vivemos?

A nós eleitores conscientes, cabe a tarefa de fiscalizar, de não se omitir, de ler ou assistir bons jornais, para nos informar melhor sobre o que está acontecendo. O nosso papel também é o de conscientização, ensinando ao povo os verdadeiros significados da democracia e da cidadania. Devemos levar em conta, também, a cobrança de propostas em questões realmente sérias, como a desigualdade social, que torna o Brasil um dos países mais injustos do mundo. Aqui poderíamos lembrar do filósofo grego Aristóteles, para o qual política injusta na distribuição da riqueza é tratar os desiguais de modo igual, quando, na prática, o contrário deveria prevalecer. Ou seja, tratar os desiguais de forma desigual. Em suma: tornar iguais os desiguais.

Mas quando isso será possível num país como o nosso, tão desigual, tão desumano? Aqui cabe incluir o protesto do Gilson Caroni Filho, extraído de um artigo publicado no site Carta Maior, do dia 15/05/2010: “Argumentos que tutelam os direitos políticos de uma coletividade não podem suprimir dos cidadãos o direito da livre expressão (...) Até quando será impossível entender o país sem a devida dose de cinismo?” Nós estamos sendo enganados todos os dias pelos políticos, pela grande mídia elitista! Depois que deram o Nobel da Paz para o Obama (que foi negado ao Gandhi), essa coisa de “oscar” é coisa de celebridade, notícia feita, para otário dormir. Por isso que o BBB é um fenômeno, é a cara do telespectador brasileiro. Informação é outra coisa! Por exemplo: a Dilma ter convidado o Temer para vice e o PMDB para parceiro. E ele disse que ia pensar, consultar o partido. Está em declínio a candidatura Dilma... Achamos que essa o Lula não emplaca. Ele tem o mesmo direito que nós: um voto. Gostamos dele, mas ele não pode ‘indicar presidente’. Maldito o povo que precisa de heróis. E o pior: negociando nessas condições com o PMDB... O PMDB é o centro corruptor do país! Como partido dinossauro e majoritário que é, sempre aliena quem dele precisa. Puxa tudo pro centro. Toma-lá-dá-cá, entende? E será assim por muito tempo...

E como diz o compositor e cantor Zé Geraldo: “Elite estúpida e senil, que empresta amparo legal pra todo mal do Brasil/ Verme do toma-lá-dá-cá, que vende o voto de vetar a violência e a miséria.”

O escritor Homero Mattos nos enviou um texto que continha essa informação: “Relata a revista Carta Capital (edição 594) que ao ser informado sobre a inclusão do presidente Lula na lista das 100 personalidades mais influentes do mundo segundo a revista Time, o líder do ex-PFL (agora DEMO!) na Câmara dos Deputados, Paulo Bornhausen exclamou: ‘a Time ficou louca ou ganhou patrocínio de estatal brasileira’”. Estranho seria se esse político achasse a inclusão do Lula nessa lista algo interessante! Pois bem, lendo um outro texto, agora de Francisco Carlos Teixeira, também no site Carta Maior do dia 15/05/2010, achamos a melhor explicação para esta opinião do Bornhausen: “É extremamente interessante que o brasileiro de maior destaque no mundo hoje seja um mestiço, nordestino, de origens paupérrimas e com déficit de educação formal. Para todos os segmentos das elites nacionais, nostálgicas de uma Europa que as rejeita, é como uma bofetada! E assim foi compreendida a lista da Time. Daí a resposta das elites: o silêncio!” Não precisamos dizer mais nada! Nietzsche e não Freud explica o PODER!

É tudo flagrante! A elite parece ter certeza que o povo é babaca e que está com a bunda exposta pra passar a mão nela! Como disse o político norte-americano Claude Pepper (1900-1989): “O erro de muitos políticos é esquecerem que foram eleitos; ficam achando que foram ungidos”. Sabemos que não existe imprensa ou informação neutra, porque ela traz consigo inevitavelmente uma interpretação sobre os fatos, mas achamos que as coisas poderiam, ou pelo menos deveriam, ser feitas de outra forma, menos demagoga. Nós, por exemplo, estamos dando a cara para bater com este texto, pois os nossos endereços estão aí, para que haja uma contestação, um debate. Podemos estar equivocados, ou as nossas ideias podem não corresponder aos fatos, mas o que não somos: pessoas reacionárias. Como afirmou certa vez o jornalista e escritor Paulo Francis: “Quero que fique registrado que eu favoreceria o fechamento do Congresso ou de qualquer outra dessas instituições reacionárias que impedem o progresso do país”. Nós também corroboramos com essa magnífica ideia!

Nós não somos políticos. Somos inocentes. Como diria o saudoso Waldik Soriano: nós não somos cachorros não! Esse nosso país é uma farsa, mas a bandeira disfarça toda e qualquer frustração: progresso sem nenhuma ordem. Ilusão! Mas sigamos tendo esperança, pois é o que nos resta...

(Márcio Melo e Allcicero, com o apoio luxuoso do Homero Mattos, maio de 2010)

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