quinta-feira, 4 de junho de 2009

Petrobras investe US$28,6 bi em 2009


ÓLEO E GÁS - Petrobras investe US$28,6 bi em 2009
ÓLEO E GÁS
O Plano de Negócios da Petrobras prevê investimentos de US$ 174 bilhões até 2013. A indústria metalmecânica brasileira será beneficiada pois a estatal exige elevado conteúdo nacional



O Plano de Negócios 2009-2013 da Petrobras divulgado no último dia 23 de janeiro depois de diversos adiamentos traz um novo alento para o setor metal mecânico brasileiro, no momento em que a demanda da cadeia automotiva por máquinas e equipamentos e ferramentas de corte para metais mostra-se reduzida. Como se sabe, a Petrobras exige que os equipamentos por ela utilizados tenham elevado conteúdo nacional. No caso da recém-inaugurada plataforma P51, o conteúdo nacional é superior a 70% (veja boxe).
O plano da estatal brasileira prevê investimento US$ 174,4 bilhões até 2013 - cerca de US$ 62 bilhões a mais que o previsto no plano anterior (US$ 112,4 bi) - dos quais US$ 28,6 bi serão investidos no decorrer deste ano.
Destaque-se que a maior parte dos investimentos destina-se à área de Exploração e Produção, US$ 104,6 bi; seguida pelo Abastecimento com US$ 43,4; Gás e Energia US$ 11,8; Petroquímica 5,6; Distribuição US$ 3 bi; Corporativo US$ 3,2 e Biocombustíveis US$ 2,8.
O Plano de Negócios 2009-2013 tomou como premissa o posicionamento estratégico definido no Plano Estratégico 2020. O Plano foi revisto e atualizado, levando-se em consideração mudanças no panorama da indústria quanto às incertezas macroeconômicas, os novos níveis de preços, oferta e demanda de petróleo e derivados, custos, aspectos geopolíticos e recursos críticos.
O Plano de Negócios não incorporou possíveis reduções de custos. No entanto, a companhia reconhece que o cenário é de queda nos preços e promete trabalhar fortemente para reduzir os custos dos bens, produtos e serviços usados em seus investimentos.
A Petrobras pretende ser uma das cinco maiores empresas integradas de energia do mundo e o plano mantém metas agressivas de crescimento para a companhia e incorpora recursos destinados a exploração e desenvolvimento das descobertas de petróleo na chamada camada pré-sal.
De acordo com o estabelecido no Plano de Negócios 2009-2013 as metas de produção de petróleo no Brasil são: 2.680 mil barris de óleo por dia (bpd) em 2013; 3.340 mil bpd em 2015 e 3.920 mil bpd em 2020.
Além do Sistema Piloto de Tupi, que iniciará produção em 2010, estão previstos para o período (2009-2013) três sistemas para produzir no pré-sal da Bacia de Santos sendo Tupi 1 e Guará 1 em 2012 e Iara 1 em 2013. A adição de novos projetos de produção fez com que a meta 2015 do Plano de Negócios 2008-2012, de 2.812 mil bpd, se elevasse em 528 mil bpd.
Incluindo o gás natural, a produção doméstica alcançará 3.310 mil barris de óleo equivalente por dia (boed) em 2013, 4.140 mil boed em 2015 (685 mil boed a mais do que a meta do PN 2008-2012) e 5.100 mil boed em 2020.
No refino, a carga fresca processada no Brasil em 2013 será de 2.270 mil bpd. Em 2011 entra em operação a Refinaria Abreu e Lima (Pernambuco) e em 2012 entra em operação o Comperj, em 2013 a refinaria Premium I e em 2014 a Premium II.
As metas internacionais também refletem o crescimento integrado da Companhia com estimativas de produção de óleo e gás de 341 mil boed em 2013. A estimativa de produção de óleo e gás da Petrobras no Brasil e no exterior para 2013 é de 3.651 mil boed.
Pré-sal - Considerando, pela primeira vez, as descobertas da camada pré-sal na Bacia de Santos, o plano prevê investimentos de US$ 174,4 bilhões, até 2013, representando uma média de US$ 34,9 bilhões uma média de US$ 34,9 bilhões por ano, sendo 90% (US$ 157,3 bilhões) no Brasil e 10% (US$ 16,8 bilhões) no exterior. Este montante representa um aumento de 55% em relação ao plano anterior.
Quando comparado com o plano 2008-2012 destaca-se o crescimento dos investimentos nos segmentos de E&P (aumento de 71%) cujo montante deve atingir US$ 92 bilhões, ou 53% dos US$ 174,4 bilhões aprovados para o período 2009-13. O segmento de Abastecimento, com 27% de participação, teve seus investimentos elevados para US$ 46,9 bilhões, representando 46% de aumento na comparação com o plano anterior.
Destaca-se também o crescimento dos investimentos em Gás e Energia em 139% representando 7% do total. Na atividade internacional, os investimentos seguem concentrados na área de Exploração e Produção, com foco na América Latina, Oeste da África e Golfo do México e o segmento de biocombustíveis receberá US$ 2,4 bilhões, por meio da nova subsidiária, Petrobras Biocombustível.
O crescimento dos investimentos deve-se a: US$ 47,9 bilhões referentes a novos projetos, US$ 17 bilhões referentes a aumento de custos devido ao aquecimento do mercado de equipamentos e serviços para o setor, US$ 2,9 bilhões em razão da alteração da premissa cambial e o restante referente a outros fatores tais como mudança no escopo dos projetos, no modelo de negócio, etc.
Dos US$ 47,9 bilhões em novos projetos, a área de E&P responde por 76,4% do montante, ou seja, US$ 36,6 bilhões. Pela primeira vez a companhia está empenhando esforços significativos na avaliação, desenvolvimento e produção de descobertas na chamada camada pré-sal das Bacias de Santos e do Espírito Santo. Dos novos projetos, cerca de US$ 28 bilhões relacionam-se com o desenvolvimento do pré-sal.
Em 2013, a meta de produção de óleo para o pré-sal é de 219 mil bpd. Já em 2015 essa produção atingirá 582 mil bpd e em 2020 1.815 mil bpd. Em 2013 a produção de gás natural do pré-sal disponibilizada para venda deve atingir aproximadamente 7 MMm3/d e em 2020 cerca de 40 MMm3/d.
A revisão do plano incorporou o novo cenário econômico e financeiro mundial, incluindo seus efeitos sobre o preço do petróleo, dentre outras variáveis. No entanto, se por um lado as flutuações de preço afetam as expectativas de receita no curto-prazo, o que pode acarretar em necessidades de substanciais captações durante 2009 e 2010, para fazer frente aos volumes de investimento, o consenso de mercado de preço médio do Brent para o período 2009-20013 é significativamente superior ao preço atual da commodity, o que leva o plano, segundo a Petrobras, a ser consideravelmente ‘autofinanciável’.
Apesar da crise financeira atual, o balanço entre oferta e demanda de petróleo no longo prazo encontra-se apertado. Espera-se para o ano de 2009 uma capacidade excedente de produção em função da queda de demanda, fenômeno não observado desde 2000. No entanto, conforme analisa a estatal a tendência não deve perdurar já que, em nível mundial, há esgotamentos dos campos existentes e um grande esforço de investimento está sendo direcionado para compensar o declínio de produção.
A Petrobras informa que trabalha com um preço médio do Brent de US$ 42 para análise de financiabilidade, alavancagem e retorno. A meta de alavancagem financeira média de 25-35% está mantida e a Petrobras continuará buscando financiamento em várias fontes de recursos no Brasil e no exterior, seja no mercado de capitais, bancário, de securitização, agências de fomento, etc.
Durante a revisão do Plano, também foram analisadas as premissas quantitativas relacionadas ao crescimento da economia mundial, taxa de câmbio, preços e margens do petróleo e derivados.
Para 2009 estão previstos investimentos de US$ 28,6 bilhões. Baseado ao preço médio de US$ 37 para o Brent, há necessidade de captar será de US$ 18,1 bilhões. Hoje a Petrobras tem um volume assegura de US$ 11,9 bilhões através do BNDES e mais US$ 5,0 bilhões de outras fontes.
P-51 entra em operação
A P-51, primeira plataforma semissubmersível construída totalmente no Brasil, começou a operar no dia 24 de janeiro, dando início à produção do poço MLS-99 do campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos. Instalada em lâmina d’água de 1.255 metros e a 150 km da costa de Macaé, a nova unidade tem capacidade para produzir até 180 mil barris de petróleo por dia e é considerada estratégica para a manutenção da autossuficiência brasileira em petróleo.
A nova plataforma faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal e gerou quatro mil empregos diretos e 12 mil indiretos, na sua construção. O investimento total nessa unidade de produção foi de aproximadamente US$ 1 bilhão. A construção ficou a cargo do consórcio FSTP (Keepel Fells Technip) e das empresas Nuovo Pignone (módulo de compressão de gás), Rolls Royce (módulo de geração de energia) e Nuclep (casco).
Pelo alto conteúdo nacional, a nova plataforma é considerada um divisor de águas na retomada das atividades da indústria naval brasileira: em fevereiro de 2003, a Petrobras optou por suspender o processo de licitação da unidade, que já estava em andamento, para incluir no edital a obrigatoriedade de conteúdo nacional mínimo, que no caso da P-51 ficou acima de 70%. Foi uma decisão estratégica que abriu novos horizontes na história dos estaleiros brasileiros. Desde então, a exigência passou a ser feita em todas as licitações realizadas pela empresa.
Outro destaque na sua construção foi a operação de deck mating (união da parte superior da plataforma ao casco) realizada em tempo recorde, no mês de abril de 2008. Essa foi a segunda vez que esse tipo de operação foi realizada no Brasil, reafirmando a alta capacitação da engenharia nacional.
A P-51 tem capacidade para comprimir seis milhões de metros cúbicos de gás e será fundamental para o aumento da oferta do produto ao mercado brasileiro. Ela integra o Plano de Antecipação da Produção de Gás Natural (Plangás), criado para reduzir a dependência externa desse combustível. Suas quatro turbinas têm condições de gerar 100MW de energia, o bastante para abastecer uma cidade de 300 mil habitantes.
A nova unidade será interligada a 19 poços (dez produtores de óleo e gás e nove injetores de água) e a 85 dutos, que perfazem um total de 335km. Com 125 metros de comprimento, 110 metros de largura e 48 mil toneladas de peso total, pode acomodar até 200 pessoas.

Nenhum comentário: