quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Mais de 80% dos professores se sentem desvalorizados

Quarta-Feira, 07 de Janeiro de 2009

De acordo com a pesquisa “A Qualidade da Educação sob o Olhar do Professor, da Fundação SM e da Organização dos Estados Ibero-Americanos”, mais de 80% dos professores se sentem desvalorizados pela sociedade - Esta situação não se alterou dentro da escola, onde 75% acreditam que a administração do colégio ou mesmo da Secretaria de Educação de sua cidade não reconhecem a importância da categoria. Mais de 8.000 professores em 19 estados participaram do estudo.Diante desse quadro “negro”, pode-se dizer que a educação pública no Brasil está caminhando para o colapso. Essa é a opinião da diretora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) do Rio de Janeiro, Wiria Alcântara.Dentre as reclamações dos professores estão os baixos salários e a falta de um plano de carreira. Wiria explica que o profissional - para ter um rendimento que atenda as suas necessidades - precisa ter mais de uma matrícula, além de complementar sua renda dando aula em colégios particulares. “Com isso, aumentam as chances de o professor adoecer”.Superlotação das turmas é um problema muito sério no Estado do Rio de Janeiro, comenta a professora. “As salas têm de 45 a 70 alunos. O profissional precisa dar aulas para várias delas e ainda conta com 60 estudantes em cada uma. Isso exige dele um esforço maior, tanto na correção de provas e trabalhos, quanto no controle da turma ao lecionar. Alguns jovens são bastante violentos e enfrentam os professores”, observa. Por atuar em um sindicato fluminense, Wiria descreve a situação do Rio, mas ressalta que o descaso com o ensino público ocorre em todo o País.Realmente, a violência é outro drama vivido pelos profissionais de educação - com casos de assaltos e até assassinatos dentro da escola. Segundo Wiria, a ausência de profissionais de apoio (como vigia, porteiro e inspetor) é um dos fatores que aumentam a possibilidade de a violência acontecer. Isso porque falta quem observe se estranhos entraram no estabelecimento e se há alunos armados.“Os prédios em que a gente trabalha também estão em péssimas condições. Temos notícias de escolas em que os alunos tiveram que sentar no chão porque não havia carteiras suficientes. Os estudantes precisam assistir às aulas no refeitório e no banheiro devido à inexistência de salas”, lamentou.Realidade preocupanteMesmo com a avaliação negativa sobre o reconhecimento da profissão, 67% dos professores disseram que não mudariam de profissão. Outro tema avaliado pela pesquisa foi o grau de satisfação dos professores referente aos diferentes aspectos da escola, desde a infra-estrutura até o relacionamento com as famílias dos estudantes. Para 81,3% dos entrevistados, a relação do professor com seus alunos é o que traz mais satisfação.Mas a realidade na área educacional brasileira, de acordo com os especialistas, é preocupante: todos os levantamentos estatísticos disponíveis a partir do censo do IBGE de 2000 e das Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios (PNADs) dos anos seguintes informam que, apesar de melhoras quantitativas modestas dos índices educacionais, o projeto reformista tem sido um fracasso. O País está mais injusto do que há 20 anos; os salários médios congelados, ou seja − a vida está mais difícil.Houve, ainda conforme os especialistas, uma grande expansão da rede pública nos anos 60, 70 e 80, mas isso não diminuiu a desigualdade social. Depois, a partir dos anos 90, vieram as políticas sociais, que também fracassaram. A esperança de ascensão social, de uma geração para outra, permanece pequena.De acordo com dados do IBGE, os 10% mais ricos da população ainda são donos de 46% do total da renda nacional. Já os 50% mais pobres contam com apenas 13,3%.A Pesquisa ainda diz que a educação não garante mobilidade social ascendente. A sociedade tem uma forte defasagem cultural. O número de certificados emitidos cresceu, mas a qualidade do ensino caiu. Mesmo com uma presença maior das crianças nas escolas, há ainda pelo menos 14,6 milhões de analfabetos.O analfabetismo funcional − incapacidade de atribuir sentido ao texto escrito em norma culta − está na escala das dezenas de milhões, talvez mais da metade dos brasileiros com mais de 15 anos. O Brasil é um país de iletrados e semi-analfabetos. E os docentes, com o passar do tempo, foram ideologicamente desqualificados diante da sociedade, afirmam os especialistas.O sindicalismo da categoria, por exemplo, foi construído como resistência a essa destruição das condições materiais de vida. Mas, reduzidos às condições de penúria, os professores se sentem, inclusive, humilhados, reiteram.
Fonte: Agência Unipress Internacional/Mauricio Tambasco

Extraído de: http://www.realizanews.com.br/verCanal.php?id=9

Nenhum comentário: