19/11/08 - 14h25
Segundo Roger Agnelli, o mercado de minério e aço parou.Ele se disse otimista e espera que a crise passe daqui a seis meses.
Jeferson Ribeiro
Do G1, em Brasília
O diretor-presidente da Vale, Roger Agnelli, afirmou nesta quarta-feira (19), durante cerimônia de assinatura de atos entre o governo brasileiro e sul-coreano no Palácio do Planalto, que a empresa está tendo que fazer “ginástica” para evitar cortes de pessoal. Segundo ele, até fevereiro a companhia deve manter a redução na produção adotada há algumas semanas. “Até lá [fevereiro] o que a gente está fazendo é uma ginástica no sentido de [manter] empregados. Isso tudo tem limite. A gente está torcendo para que as coisas melhorem mais rapidamente”, revelou. Segundo ele, a falta de demanda por aço e minério está prejudicando os negócios da empresa. Agnelli disse que o problema não é o preço do produto. “Tivemos que frear a produção, todo mundo teve que frear a produção. Não é questão de preço, é questão de demanda. Por ora, até o mercado se ajustar, estamos reduzindo um pouco a produção. No ano que vem, a gente retoma. Acho que agora todo mundo tem que ter fôlego”, afirmou o empresário. A Vale reduziu a produção de minério de ferro em cerca de 30 milhões de toneladas. Agnelli contou que todos os seus concorrentes também estão sofrendo com o mesmo problema de redução do mercado. “O mercado parou. Todo mundo esperando para ver o que vai acontecer. E quando todo mundo espera para ver o que está acontecendo, ninguém entende o que está acontecendo na realidade. Acho que ainda tem alguns meses de ajuste forte e temos que passar por isso”, disse. O diretor-presidente da Vale salientou que está otimista em relação ao fim da crise, mas alertou que ainda há muitas incertezas sobre o desenrolar do problema mundial. “O que nos preocupa é a duração disso. Tem pessimista falando em dois anos, tem otimista falando em cinco, seis meses. Eu estou mais na linha dos otimistas. Acho que é uma crise forte, começa uma retomada discreta lá para março”, salientou.
Mais crédito
A Vale assinou, nesta quarta-feira, um convênio com o Korean Kexin Bank para abrir uma linha de crédito de US$ 1 bilhão para investimentos no Brasil. O principal foco será o aumento de produção para exportação de matéria-prima para a Coréia do Sul, desde minério de ferro, passando por cobre, níquel e alumínio. “Por enquanto, é uma linha de crédito que a gente requisitou, e eles concordaram em conceder. A gente vai avaliar agora em quais projetos a gente vai usar esse US$ 1 bilhão. A gente está bem em termos de crédito”, explicou Agnelli.
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