Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo
País encolhe pelo segundo trimestre consecutivo; empresas exportadoras registram fortes reduções nos lucros
PEQUIM - Segunda maior economia do mundo depois dos Estados Unidos, o Japão entrou oficialmente em recessão, depois de seu PIB encolher 0,4% no terceiro trimestre em relação a igual período do ano passado. O resultado foi pior que o previsto por analistas e é um indício de que o país asiático poderá enfrentar uma severa desaceleração, a primeira desde 2001.
Levantamento realizado pela agência de notícias Kyodo indica que os economistas esperavam uma alta de 0,1% do PIB na comparação com 2007 e estabilidade em relação ao trimestre anterior - indicador que registrou queda de 0,1%.
A economia do Japão havia contraído 3,7% no período de abril a junho e, com a nova queda, entrou na definição técnica de recessão, que são dois trimestres consecutivos de redução do PIB. Na semana passada, a União Européia anunciou que seus 15 integrantes também se encontram em recessão.
Com a redução da demanda global, as empresas japonesas dependentes de exportações enfrentam fortes reduções nos lucros, o que as levou a demitir funcionários, cortar investimentos e reduzir as metas de produção para 2009.
O setor automotivo, que responde por 20% das vendas externas do país, está entre os mais afetados. Maior companhia japonesa e maior montadora do mundo, a Toyota prevê que seu lucro líquido terá queda de 68% no ano fiscal que se encerra em março de 2009. A empresa deverá demitir 3.000 funcionários no próximo ano.A Honda, segunda maior empresa do país, também espera retração no indicador, ainda que em percentual menor, de 19%.
Empresas de todos os outros setores - do eletrônico ao siderúrgico - também sofrem com a retração mundial e os impactos negativos sobre a demanda doméstica. O consumo é responsável por 55% do PIB japonês e, de acordo com os dados divulgados nesta segunda, teve expansão de apenas 0,3% no terceiro trimestre em relação ao anterior.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Japão, a 2ª maior economia do mundo, entra em recessão
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